Como esquecer alguém em 5 minutos ou talvez + um bocadinho
Antes de tudo, há que reconhecer que este poderia ser um belo nome para um
daqueles livros que as pessoas oferecem umas às outras apenas e só pelo
título e que usualmente se encontram em qualquer bomba de gasolina, no
corredor do fundo, lado esquerdo, junto aos jornais. Não interessa o autor,
nem se alguma vez se leu alguma coisa, nem se os críticos do mil folhas
falaram bem, o que importa mesmo, é a mensagem que o título oferece a quem
o recebe. E se depois lá dentro, nas páginas que se refugiam na capa, o
conteúdo não for grande coisa, isso de nada importa. Entrega-se o livrinho
como se estivéssemos a entregar uma senha de papel com uma mensagem, a
fazer olhinhos, para a miúda que está na carteira ao lado: “Vai onde te
leva o coração!”, “Fazes-me Falta!” “Não há coincidências” e claro o
inevitável “Amo-te”.
Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa
que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura.
Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz
lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa
cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera.
Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente
usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do
“Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em
direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja
ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é
limpinho.
O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as
coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos
pareçam assim tão agradáveis. E quando ela – leia-se o incêndio – aparecer,
já só resta terra queimada.
E assim, aproveitando esta bonita analogia dos incêndios, é justo revelar
que aqui o grande problema é o vento, o vento que pode reacender as chamas.
E esse vento, pode ser uma chamada dela – que ninguém atenda o telefone –
uma súbita vontade de lhe ligarmos nós, às 4 da manhã com uma voz
notoriamente embriagada – apague-se já o número – ouçam, o vento pode ser
uma foto dela ainda no quarto – que se guarde isso numa gaveta escura – uma
carta que imbecilmente relemos – perigo, perigo! – Aceitar um convite para
jantar a dois sob o pretexto de irmos falar sobre o ambiente no mundo –
isso é muito arriscado – ir a casa dela rever a primeira temporada dos
Sopranos em dvd – que fique claro, ao aceitarem este convite, isto já nem
será vento, mas possivelmente, um tornado.
E assim, voltando à perniciosa técnica do fogo contra fogo, o mais
importante, é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo. É
dizermos “isto é muito bonito e tal, mas eu tenho que sair daqui antes que
se faça tarde” e assim, ao não permitirmos recaídas que sabemos que só irão
adiar o inevitável, extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo
fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz
de as reanimar.
daqueles livros que as pessoas oferecem umas às outras apenas e só pelo
título e que usualmente se encontram em qualquer bomba de gasolina, no
corredor do fundo, lado esquerdo, junto aos jornais. Não interessa o autor,
nem se alguma vez se leu alguma coisa, nem se os críticos do mil folhas
falaram bem, o que importa mesmo, é a mensagem que o título oferece a quem
o recebe. E se depois lá dentro, nas páginas que se refugiam na capa, o
conteúdo não for grande coisa, isso de nada importa. Entrega-se o livrinho
como se estivéssemos a entregar uma senha de papel com uma mensagem, a
fazer olhinhos, para a miúda que está na carteira ao lado: “Vai onde te
leva o coração!”, “Fazes-me Falta!” “Não há coincidências” e claro o
inevitável “Amo-te”.
Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa
que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura.
Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz
lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa
cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera.
Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente
usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do
“Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em
direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja
ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é
limpinho.
O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as
coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos
pareçam assim tão agradáveis. E quando ela – leia-se o incêndio – aparecer,
já só resta terra queimada.
E assim, aproveitando esta bonita analogia dos incêndios, é justo revelar
que aqui o grande problema é o vento, o vento que pode reacender as chamas.
E esse vento, pode ser uma chamada dela – que ninguém atenda o telefone –
uma súbita vontade de lhe ligarmos nós, às 4 da manhã com uma voz
notoriamente embriagada – apague-se já o número – ouçam, o vento pode ser
uma foto dela ainda no quarto – que se guarde isso numa gaveta escura – uma
carta que imbecilmente relemos – perigo, perigo! – Aceitar um convite para
jantar a dois sob o pretexto de irmos falar sobre o ambiente no mundo –
isso é muito arriscado – ir a casa dela rever a primeira temporada dos
Sopranos em dvd – que fique claro, ao aceitarem este convite, isto já nem
será vento, mas possivelmente, um tornado.
E assim, voltando à perniciosa técnica do fogo contra fogo, o mais
importante, é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo. É
dizermos “isto é muito bonito e tal, mas eu tenho que sair daqui antes que
se faça tarde” e assim, ao não permitirmos recaídas que sabemos que só irão
adiar o inevitável, extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo
fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz
de as reanimar.
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