As relações deviam ser relativamente fáceis. Não custam nada. Gostas de alguém, sentes umas borboletas, fazes umas aproximações, trocam uns olhares, dás uns beijinhos, uns amassos, umas saídas, trocas uns cromos de caderneta do que gostam. Consegues partilhar? Ótimo! Cumplicidade? Maravilhoso! Cuidado com o outro? Existe? Fantástico! Química? Genial!
O resto é uma teia que se desdobra em carinho, fogo, tesão e afins. O problema não é o amor que nos prende é a desconfiança que se acende. Entra tudo nas relações já com um olho no burro e outro no cigano. É tudo um bando de desconfiados uns com os outros. Por dentro…não parece...mas anda sempre tudo a gritar e a imaginar. Pré-julgamentos, suposições ou inquisições.
Os historiais do passado, cenários do presente, as amigas, os amigos, conhecidos, dúvidas, filmes, ciumeiras, quem são as vacas que chegam…quem são os camelos que se aproximam. Entrar numa relação não é perceber qual o tipo de amor, que existe, mas entender que tipo de entulho persiste. Não tenho paciência para aturar atrasos…só coragem para perceber progressos.
Entrar numa relação requer pessoas inteligentes para firmar e não débeis mentais para atrasar. Teimosamente as pessoas continuam em insolvência interior. Com medo de amar, medo de se entregar, medo de apostar, receio de perder e que comece a gritaria para ver se alivia. No fundo há mais pessoas com o cérebro a inchar do que com a inteligência a atuar…
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