sábado, 26 de abril de 2014

O Tempo do "Descartável"

O Tempo do "Descartavel"

Hoje em dia vivemos num tempo em que tudo é descartável, os sacos de plástico, os copos, enfim todo um manancial de "coisas" que aparentemente foram inventadas para nos facilitar a vida de forma a que pudéssemos ser mais felizes?! 

Será mesmo?! 

A questão mais crítica é que se transferiu o lema do usar e deitar fora, dos artigos para as pessoas e para as emoções, e isso é que é realmente grave. 

Hoje em dia as pessoas usam-se e depois descartam-se umas das outras como se de um simples copo de plástico se tratasse ... 

Mas bem pior, porque relativamente ao plástico ainda começa a aparecer a preocupação da reciclagem, e quanto aos sentimentos? 

Na procura do prazer e da felicidade imediata, as pessoas atropelam-se, iludem-se, usam-se e magoam-se sem dó nem piedade, e sem reciclagem " possível. 

Quem nesta Era se vê, de repente, desirmanado, apanha um grande choque porque nada é como era há uns anos atrás, em que as pessoas procuravam nas outras os mesmos objectivos; faziam planos de vida em comum; procuravam construir a felicidade. 

Hoje em dia, as pessoas procuram a FELICIDADE, como se de um artigo de consumo se tratasse . 

Algo físico e palpável, e não, o que realmente é, algo que se constroi, que se partilha e que é feito de pequenas insignificâncias. 

Hoje, as pessoas conhecem-se, relacionam-se sexualmente uma ou duas vezes, e descartam-se passando para a próxima "relação". 

Cada vez ficam mais frustadas porque aquela ainda não é a tal ou o tal. 

Mas para descobrir isso é preciso bem mais do que uns simples encontros físicos... 

É preciso conhecer o outro; conhecer os defeitos e aceitá-los; é preciso querer ver mais fundo. Apaixonarmo-nos por alguém é um investimento grande; e manter uma paixão requer muito empenho. 

Mas hoje, na era do fast-food; o "amor" passou a ficar conotado como descartável e quem não aderir ao fast-sex, pode correr o risco de se sentir inadaptado. 

Pois bem, como diz uma amiga minha, prefiro ser inadaptado. 

Não sou descartável. 

Não sou de usar e muito menos de deitar fora. 

Sou de Amar e valorizar, porque eu valorizo os outros, valorizo-me e amo muito. 

Não sou conservador. Não condeno quem se sente feliz com esta forma de viver, apenas não é o que eu quero para mim.

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