sábado, 26 de abril de 2014

Pessoas Descartáveis

Pessoas descartáveis

Há gente assim. 
Usa-se e abusa-se de terceiros como sendo objectos descartáveis 

Abrem as embalagens, espremem bem o conteúdo, sugam-lhes os pensamentos, lambem as feridas, mastigam bem e devagar, dão lhes o o uso devido, momentaneamente utilizam para o efeito desejado. 

Há gente assim. 
Acomodam-se aos objectos de usar e deitar fora. 
Não gostam de os guardar como relíquias do passado, nem como investimento de futuro. 
. 
Talvez o receio de se afeiçoar, e consequentemente quando estiverem fora de moda, gastos, fora de validade, porque tudo tem o seu tempo, guardam o objecto no cantinho do sótão, ou simplesmente deita fora. 
É a cadeia do fast feeling. 
Nunca entendi este tipo de prazer fugaz e prático. 
Até o dia em que me tornei uma pessoa descartável. 

Tal como tu, que te apoderaste do conteúdo, deixando a embalagem para alguém reciclar, atropelei-te, peguei em ti, curei a ferida, passei a mão pelos teus contornos, acariciei teus adornos, deliciei-me com os teus sucos, enfeitei-te a alma e guardei - te num compartimento do meu ventrículo esquerdo , é o mais inatingível já que o outro está mais exposto. 

Estás lá, não te vejo, não te sinto. 
Um certo peso, que apesar de não incomodar ocupa um espaço precioso, porque a máquina não pode parar. 

Só não tive vontade e tempo para te deitar fora.

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