Ninguém gosta de dizer adeus. Eu também não. Terminar uma relação, ver um amigo emigrar, mudar de empresa, ver uma amizade ganhar o afastamento que o tempo proporciona... Sempre me custou o final das relações, de qualquer natureza. Sempre vi as ligações com as pessoas do meu círculo como cumulativas, até ao ponto em que percebi que, em dado momento, isso se tornaria insustentável. Não entendia aquela coisa que dizem dos "poucos, mas bons", nem como é que alguém ou algo que já significou tanto para ti perde a importância.
Hoje vejo as coisas de forma diferente: menos controlada, menos definitiva. Não vale a pena querer reter as pessoas, tentar parar o tempo ou evitar a mudança. O que tiver de ser será! E não paro de me fascinar com as voltas que a vida dá, o modo como este mundo pequeno gira para nos colocar em situações aparentemente inesperadas... E, sim, o melhor mesmo é deixar a "coisa" rolar, seguir o seu rumo, decidindo o possível com a cabeça, mas ainda mais com o coração.
Não vamos controlar tudo! A vida vai transformar o teu colega de trabalho num dos teus melhores amigos, vai mostrar-te que a pessoa com quem começaste algo sem grandes expectativas se pode tornar naquele com quem vais desejar partilhar o resto da tua vida, vai provar-te que os teus amigos emigrantes vão estar muitas vezes mais perto do que os outros... A vida vai ainda ensinar-te que poucos te amam incondicionalmente e, com o passar dos anos, vais aprender a dar-lhes mais valor; vai mostrar-te que podes voltar a amar depois de outro amor terminar, mesmo quando achavas que isso seria impossível. A vida vai ensinar-te também que as pessoas que vão podem voltar, se assim tiver de ser; que as que são para ficar ficam, e que algumas ficam lá atrás, onde elas pertencem.
Por tudo isto e mais, em vez de "adeus" eu prefiro o "até já". Já vivi o suficiente para não ver as coisas como previsíveis ou definitivas. E, apesar de ser um tanto assustador, gosto disso!
Vale a pena manter o bom karma e fé de que tudo isto faz sentido! 
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